Resenhas

Mar de Tranquilidade - Katja Millay - Resenha

14 de dezembro de 2014

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Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele.
A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida. À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer. Eleito um dos melhores livros de 2013 pelo School Library Journal, Mar da Tranquilidade é uma história rica e intensa, construída de forma magistral. Seus personagens parecem saltar do papel e, assim como na vida, ninguém é o que aparenta à primeira vista. Um livro bonito e poético sobre companheirismo, amizade e o milagre das segundas chances.

"Se eu tivesse um telescópio, mostraria o Mar de Tranquilidade pra você. - Ela aponta para o céu. - Está vendo? Ali na Lua. Não dá pra ver direito daqui.
(...)
Não é um mar. É só uma sombra grande e escura na Lua. O nome não é uma mentira. Não quer dizer nada."
Nem sei por onde começar a resenhar este livro. Só sei dizer que Mar de Tranquilidade é um livro intenso, doloroso, repleto de mensagens,  e que me rasgou do avesso, fazendo-me ama-lo nos mínimos detalhes - e o melhor, sem que eu percebesse. Quando dei por mim, já estava vidrada nas paginas, folheando o livro de ontem para hoje até que... acabei? Sim. Terminei minha leitura completamente extasiada e me estapeando por ter devorando as paginas feito uma faminta, quando deveria ter lido mais devagar degustando dos personagens criados pelo brilhante cérebro de Katja Millay.

Sabe aqueles personagens que você não quer largar por nada? Aqueles que você deseja sequestrar e guardar num potinho? E expor na sua prateleira porque os ama demais e quer olhar para eles todos os dias? Então, Nastya e Josh são desse tipo. E eu os queria segurar por mais tempo. Eternizar os momentos deles juntos e obvio, o meu com eles. Momentos esses que foram avassaladoramente intensos, como eles são, complicados e nada perfeitinhos. No entanto, verdadeiros.

Katja Millay é uma grande descoberta no mundo da literatura inversa. Hein? Literatura inversa? Sim, sim. Costumo chamar de literatura inversa aquela obra onde a autora trabalha com personagens que fogem dos estereótipos usados pela maioria dos escritores. Personagens que não são criados na ilusão de mundo perfeito e pessoas perfeitas. Caras gostosos, tatuados e selvagens, com corpo de matar e garotas lindas, cheias de vontades e usando gloss de cereja. Não que eu não goste do tradicional juvenil, eu curto, mas adoro quando os escritores no apresentam histórias beirando a realidade. Onde eles falam muito sobre vida real.

A forma de Katja Millay narrar a história, intercalando os pontos de vistas entre Nastya e Josh, torna a leitura extremamente suave de acompanhar e impossível de não se envolver. A linguagem jovial que ela trabalhou nos aproxima dos personagens, suas idades, seus mundos e principalmente seus problemas. Por que é isso que Nastya e Josh são, garotos problemas. Ai quando digo isso você logo pensa que me refiro a aquela fase rebelde problemática da adolescência e juventude. E é ai que você quebra sua cara de burro manco.

Nastya Kashnikov está se mudando para morar com a tia, Margot. Após dois anos ela volta a frequentar a escola como uma garota normal, comum. Só que Nastya não é mais uma garota normal, uma jovem comum. Há dois algo foi roubado dela. Algo trágico e dilacerante. E esse algo lhe custou a sua voz e lhe fez perder sua identidade. Nastya não permite que ninguém se aproxime e tranca seu passado junto com seu misterioso segredo a sete chaves.

Josh Bennet um garoto de 17 anos e que está, praticamente, "sozinho" no mundo. Todas as pessoas que ele amava, sua família, foram arrancadas brutalmente de sua vida. Todos a sua voltam morrem e isso não é segredo para ninguém. Josh vive no seu mundo. Calado e na dele. As únicas pessoas que fazem parte de sua vida é seu amigo Drew e a família dele. Isso antes Nastya invadir seu espaço pessoal sem lhe pedir permissão.

Nastya tem um jeito marcante e em suas narrações ela deixa bem claro sua personalidade. Ela é super introspectiva e sincera. Seu passado não fora esquecido e nem superado por ela, e a cada capítulo Nastya nos mostra isso nas entrelinhas. Sua vida imperfeita. Ela não fala. Sua voz se calou. Nastya não conversa com ninguém. Não tem comunicação verbal. A garota adotou o voto do silencio. E isso é serio no livro. Ela não fala mesmo com ninguém. Acredito que é por esse fato que sua narração é muito introspectiva e viciante.

Josh já não é nem um pouco introspectivo como Nastya. Sua narrativa também leve e percebemos com clareza a diferença de um personagem para o outro. As mortes ainda o rondam, o atormentam. Josh não se esquece deles e consequentemente não se esquece de que tudo que ele mais ama é retirado, sem motivo, de sua vida. E o o que ele vive esperando é a próxima coisa que a vida vairpegar de volta.

É inevitável que os caminhos desses dois jovens tão quebrados se cruzem. E é inevitável a aproximação. Nastya sente uma curiosidade imensa por Josh e que sem entender o motivo, seus passos acabam a levando até ele.

A maneira como a Katja constrói essa aproximação é das formas mais sutis possíveis. Nada forçado ou premeditado, sabe? É lento e progressivamente delicioso de acompanhar. Josh, além de Drew, não tem amigos e é antissocial. E Nastya não quer deixar ninguém entrar e fazer parte de seu obscuro mundo. Dois jovens cheios de problemas, machucados, quebrados, maltratados e humilhados pela vida se aproximam se nem saber o porquê.

Katja Millay no envolve em uma narrativa cheia de segredos, mistérios, medo, dor e... esperança. Esperança é a palavra que paira sobre Nastya e Josh. Salvação. Algo que eles não procuram, mas acabam descobrindo um no outro.

Os dois são intensos as suas maneiras. Sofrem e sente dor cada um do seu jeito peculiar. O livro transbordar drama e é profundamente angustiante. Você se pergunta o que se passou com Nastya o tempo todo. Você tenta entender porque a vida, simplesmente, decidiu por Josh que ele deveria ser sozinho. Você se pergunta quando eles ficarão bem. Você mergulha na leitura como se fizesse parte dela. E eu fiz parte. Senti, vivi, chorei e vibrei com os personagens. Eles te levam a invadir suas vidas e ama-los do jeitinho que eles são: um casal perfeito dentro de suas muitas imperfeições.

" Mas estou aqui. Ela também está. E não consigo soltá-la. Talvez só precise salvá-la agora, neste momento, e, se fizer isso, talvez me salve também e talvez seja suficiente."

Mar de Tranquilidade me rasgou e me virou do avesso. Me envolvi completamente nesta leitura carregada e real. Com personagens tão machucados e marcantes. Tão vivos e sofridos. Tão alucinantes e apaixonantes. Katja me ganhou. Me enlouqueceu. Me fez ama-la. Amar Josh e Nastya e torce muito por eles. Pelo casal. Pela esperança. Pelo amor. Pela amizade. Pelo o "felizes para sempre", deles.

A leitura é mais que recomendada desta obra linda e impactante. Eu não costumo dar estrelas, pois acredito que isso compromete a impressão inicial do leitor. Mas se eu desse, rs, seria 10 para Mar de Tranquilidade.  Um livro que te leva para fora de estereótipos e te obriga a encarar uma realidade, que muita das vezes, é dolorosa e repleta de traumas. Mas com um desfecho cheio de vida e esperança. Com a promessa de que um dia, as coisas vão se acertar.

- Eu te amo, Flor do Dia - digo, antes de perder a coragem. - E não estou nem ai se você quer que eu ame você ou não.


- Sim. - digo, e é como se dissesse "sim" mil vezes.
 Sim, eu voltei. Sim, eu te amo. Sim, quero que você me ame. Sim, vou ficar bem. Talvez não hoje nem amanhã nem na semana que vem. Mas sim, um dia vou acordar e estar bem. Sim.

Postado por Respire Literatura

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